#stopmontagnedor

Interpele o Presidente Francês!

NÃO AO PROJETO DE MINERAÇÂO INDUSTRIAL MONTAGNE D’OR!

A empresa Montagne d’Or é administrada pelo consórcio das multinacionais russa Nordgold e canadense Colombus Gold.

As multinacionais desejam se estabelecer na floresta amazônica da Guiana Francesa, entre duas reservas biológicas integrais, e lá cavar um fosso gigantesco.

O projeto da empresa prevê um desmatamento total de 1513 hectares, incluindo um desmatamento de florestas primárias, de grande valor ecológico, de 575 hectares, em um local onde mais de 2000 espécies vegetais e animais, 127 das quais protegidas, foram inventariadas.

De acordo com o operador, para extrair ouro, durante os 12 anos de duração do projeto, serão necessários 57000 toneladas de explosivos, 46500 toneladas de cianeto e 195 milhões de litros de combustível. O risco para a floresta amazônica da Guiana será considerável.

Este projeto desnecessário e imposto é uma miragem econômica e representa um impasse para o futuro da Guiana Francesa e de seus habitantes.

Interpele o Presidente Francês!

108245 pessoas já foram mobilizadas

Senhor Presidente,


Peço-lhe que proteja a floresta amazônica guianense recusando o projeto de mineração industrial Montagne d’Or.


Vossa Excelência se comprometeu perante o mundo inteiro a lutar contra as mudanças climáticas e a proteger o planeta por ocasião do One Planet Summit. A construção de uma mina industrial entre duas reservas biológicas integrais na Amazônia francesa é incompatível com nossos compromissos climáticos e representa um risco maior para a biodiversidade da Guiana. Sintomático do modelo de desenvolvimento do século anterior, baseado na exploração dos recursos naturais não renováveis, este projeto é uma miragem econômica e uma nova ameaça para esta parte da floresta amazônica.


Peço-lhe que recuse a exploração de 54 milhões de toneladas de minerais para obter... ouro, muito pouco ouro (1,6 gramas de metal por tonelada de mineral). Peço-lhe que proteja a natureza e respeite os seres vivos.


Diga #StopMontagnedOr !

O WWF França se opõe ao projeto da mina industrial Montagne d’Orpois este representa:

  1. Um risco maior para o meio-ambiente e a biodiversidade da Guiana Francesa

    O WWF França denuncia o impacto desastroso desse projeto para um ecossistema excepcional, no coração da Guiana Francesa, maior reserva de biodiversidade terrestre francesa.

    Além dos impactos ambientais incompressíveis (desmatamento, consumo de energia, etc.), este projeto impõe riscos consideráveis para esta parte do território e seus habitantes (rompimento de barragem, drenagem ácida de minas, transporte e manutenção de materiais perigosos, deslizamentos de terra...). Nestes últimos anos, inúmeros acidentes aconteceram, entre os quais a catástrofe de Baia Mare na Romênia, a pior catástrofe ecológica conhecida na Europa desde Tchernobyl, que provocou, em 2000, o derramamento de centenas de toneladas de cianeto e de metais pesados nos rios, levou à destruição de milhões de peixes e à contaminação da água potável de milhões de húngaros. Em 2014, um rompimento de barragem na mina de ouro canadense do Monte Polley provocou o derramamento de cianeto, cobre e chumbo nas águas canadenses. Enfim, o Brasil conheceu, em 2015, a maior catástrofe ecológica de sua história, conhecida como a Tragédia de Mariana, depois do rompimento de uma barragem. O vazamento de lama tóxica matou 19 pessoas, riscou do mapa vários povoados e poluiu centenas de quilômetros de rios até o oceano Atlântico. A empresa Montagne d’Or prevê utilizar cianeto, enquanto o Parlamento Europeu exigiu a interdição total da utilização das tecnologias à base de cianeto na indústria de mineração desde 2010, por sua extrema toxicidade para o meio-ambiente e para a saúde humana. Vários países como a Alemanha, a Eslováquia, a República Tcheca ou a Hungria já proibiram, aliás, em sua legislação nacional, a utilização do cianeto na indústria das mineração. Por todas estas razões e muitas outras, a Comissão nacional consultiva dos direitos humanos exigiu uma moratória sobre esse projeto e alertou o governo para os riscos ambientais de semelhante exploração das minas. Os temores dos guianeses com relação ao projeto Montagne d’Or são, aliás, revelados em uma pesquisa realizada pelo IFOP no final de 2017, na qual três quartos dos entrevistados estimavam que Montagne d’Or representava um risco importante para o meio-ambiente na Guiana Francesa.

  2. Uma miragem econômica

    As conclusões do estudo miragem econômica, que levamos a cabo, são claras: Montagne d’Or é uma miragem em termos de desenvolvimento para a Guiana Francesa e um sumidouro do dinheiro dos contribuintes.

    O relatório do WWF França mostrou que a análise econômica do projeto repousava em várias hipóteses particularmente favoráveis. A volatilidade da corrida do ouro e da dependência das taxas de câmbio euro-dólar criam uma incerteza real sobre a rentabilidade de todo o projeto.

    Por outro lado, somente esse projeto deveria consumir ao menos 420 milhões de euros das verbas públicas, ou seja, 560000 euros para cada um dos 750 empregos diretos anunciados. Enfim, as compensações econômicas para o território guianês serão derrisórios. A empresa Montagne d’Or anuncia 56 milhões de euros de economia para a coletividade territorial da Guiana Francesa em 12 anos, ou seja, menos do que o custo do Liceu IV, que será inaugurado em 2018 na Guiana Francesa (o custo total está estimado entre 60 e 62 milhões de euros).

  3. Uma falta de consideração para com a opinião das autoridades indígenas

    Os líderes tradicionais indígenas por várias vezes afirmaram sua oposição ao projeto e lutam para que sua voz seja ouvida.

    Por ocasião da Conferência dos Povos Autóctones da Guiana em 16 e 17 de dezembro de 2017, os líderes tradicionais reafirmaram seu posicionamento “firme e imutável” contra o projeto Montagne d’Or e exigiram uma moratória sobre todos os projetos de mineração que ameaçassem os seus territórios. A juventude também se mobilizou através do coletivo Juventude Autóctone da Guiana Francesa, há vários meses engajado contra esse projeto e pela preservação do meio-ambiente guianês.

  4. Uma fragilização dos outros setores econômicos

    A extração de ouro não é prioridade para os guianeses, mas o dinheiro público atribuído à Montagne d’Or não poderá beneficiar outros setores essenciais como a agricultura, o turismo ou as energias renováveis.

    A Guiana Francesa e os guianeses têm inúmeros trunfos que lhes permitem desenvolver seu território de forma durável: a agricultura, as energias renováveis, o turismo, a pesca... É nesses setores que os milhões do contribuinte devem ser investidos e são também esses setores que os guianeses julgam prioritários para o desenvolvimento. A pesquisa feita pelo IFOP no final de 2017 mostra que os guianeses não consideram o setor aurífero como prioritário para o desenvolvimento. Apenas 11% estimam que o ouro é um setor que deve ser priorizado, longe ainda da agricultura (44 %), da construção (37 %), do turismo (29 %), das energias renováveis (28 %), da agro-alimentar (19 %) ou da pesca (17 %). Infelizmente, a renda pública atribuída à Montagne d’Or não poderá beneficiar os setores julgados prioritários.

  5. Um projeto desnecessário

    É urgente abandonar a economia linear do passado, baseada no eixo “extrair, fabricar, consumir, eliminar” e se abrir para a economia do século XXI, circular, funcional e sustentável.

    A empresa Montagne d’Or deseja destruir centenas de hectares de florestas e explorar 54 milhões de toneladas de minerais para obter ouro, um metal precioso que, em mais de 90% dos casos, serve para encher as gavetas e os cofres dos bancos. De fato, em 2017, apenas 8% do ouro foram utilizados para aplicações tecnológicas, enquanto 90% foram usados nos setores da joalheria e da finança (lingotes e outros). Montagne d’Or propõe explodir um flanco de montanha para obter 1,6 gramas de ouro por tonelada de minerais, enquanto que basta reciclar telefones celulares para obter 200 gramas de ouro por tonelada de cartões eletrônicos reciclados. A construção de uma mina industrial entre duas reservas biológicas integrais na Amazônia francesa corresponde à visão dos séculos passados: um desenvolvimento baseado em uma exploração intensiva dos recursos naturais com compensações derrisórias para o território e consequências socioambientais maiores.

  6. A árvore que esconde a floresta

    Seguindo o exemplo da Montagne d’Or, inúmeras outras empresas de mineração estão dispostas a explorar cada recanto da floresta guianesa para aí encontrar ouro.

    O presidente da empresa Montagne d’Or o reconheceu, “outros grandes grupos de mineração esperam esse resultado para se lançar na Guiana Francesa”. Aceitar Montagne d’Or é, por um lado, aceitar abrir a floresta guianesa a um campo de minas industriais, e, por outro, enfraquecer duravelmente a economia guianesa, que se tornaria dependente das multinacionais do setor e de uma corrida à bolsa decidida a milhares de quilômetros da Guiana Francesa. No plano econômico, a Nova Caledônia mostrou as consequências desastrosas da dependência dos preços internacionais para um território e para todos os cidadãos (cujos impostos devem salvar as contas das empresas em caso de baixa dos preços). No plano ambiental, a Comissão consultiva dos direitos humanos se preocupa com que tal “imensa mina abra um precedente na Guiana Francesa, preparando assim o caminho para outros projetos desse tipo. A exploração do ouro na Guiana Francesa penderia então para uma exploração industrial em grande escala que “(...) seria particularmente preocupante para o respeito ao direito a um ambiente saudável na Guiana Francesa”.

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